Zé Trek Memories

ou “Como descobri a Federação dos Planetas Unidos”

Eu era um trekker solitário do interior, vivendo das migalhas que a televisão e as videolocadoras ofereciam, e sonhava em um dia conhecer criaturas semelhantes a mim. Sabia que tais seres deveriam existir em algum lugar não muito distante, e pacientemente esperava a oportunidade de fazer “primeiro contato”.
Foi então que, na data estelar de 1992 uma tia residente em Curitiba, ao ler a Gazeta do Povo, surpreendeu-se com uma foto de um bando de malucos trajados e maquiados de maneira bem peculiar. Ela prontamente mandou a página do jornal pelo correio para seu sobrinho. A reportagem que acompanhava a foto revelava o nome e o telefone do sujeito responsável por organizar a turma. Vocês sabem de quem eu falo.
No ano seguinte, eu já morava em Curitiba, e mantinha a página do jornal com o número de telefone cuidadosamente guardada esperando a hora certa. Em algum momento do ano de 1995, fiquei sabendo da exposição de “Jornada” que estava havendo na Gibiteca. Fui. Lá eu vi uma cena inesquecível:
Desleixadamente encostado em uma parede, um sujeito usava o uniforme amarelo da série clássica. Barba por fazer, olheiras e uma expressão de desânimo ele fumava um cigarro. Diante desta cena que destroçava em minha cabeça e em meu peito o que deveria ser um tripulante da Enterprise, hesitei por alguns minutos, mas criei coragem e me dirigi a ele. Não me lembro bem sobre o pouco que falamos, mas me lembro que ele não se desencostou da parede. Na verdade mal se mexeu, me olhando com o canto de um olho e economizando palavras. Achei melhor me mandar dali.
Passaram-se alguns meses, e às vésperas da estréia de “Generations”, eu sabia que haveria algum evento trekker no lançamento do filme. Finalmente assumi uma postura e liguei pro cara. Eu não queria mais ficar de fora. Expliquei pra ele a interessante história e como eu descobri o número dele, que não se lembrava de mim, claro, e começamos a conversar sobre “Jornada”. Foi a minha primeira típica conversa telefônica com o Carlos – 3 horas falando sobre Star Trek.
Fui à estréia do filme no Cine Plaza, conheci o pessoal e o resto é História.
José Henrique Saraiva, Curitiba, 12.11.2007
Pois é, fucei minha memória, mas não me recordo como descobri a Federação. Mas me lembro que tinha o endereço do Carlos Machado em mãos, fiz uma porrada de desenhos e enviei a ele. Num belo dia o Carlos me ligou e ficamos batendo papo. Depois, comecei a freqüentar as reuniões.
Uma reunião de trekkers é um misto de surrealismo misturado a frustrações egoespaciais. Vi muita discussão de bando de marmanjos se auto intitulando “donos do saber Star Trek” a respeito dos mais variados e “esclarecedores” assuntos.
Agora, a cena mais engraçada foi uma discussão que acabou em ofensas pessoais em que o tema era o funcionamento do motor de dobra espacial da Enterprise.
Outra coisa hilária foram as dores de barriga do pessoal que misturava anilina no guaraná para obterem a cerveja Romulana.
Antonio Eder Semião
Eu só conhecia a série por reprises, mas o Antonio (Eder) me falou de um grupo que se reunia na Fundação Cultural de Curitiba e fui lá curioso, ver qual era a desse povo. Era mesmo estranha aquela gente fantasiada…mas ver os filmes num tempo em que o VHS não ajudava e a TV mal exibia aquele conteúdo todo, aquelas sessões eram muito excitantes à imaginação de um adolescente que estava descobrindo os encantos da FC.
Certamente foi conspirado: num belo dia de reunião fui sorteado e ganhei uma camisa vermelha do uniforme. Daquelas que os coadjuvantes anônimos usavam antes de morrer…
Daí não houve mais volta e passei a me espremer junto aos demais no sofá da sala do Machado (o capitão) por uns bons anos… Eu me recusava a usar a camisa senão como pijama, afinal, ela era um número maior do que o meu. Mas sempre admirei a coragem desse povo que tinha a audácia de queimar a cara de um jeito que eu nunca fui capaz. Mesmo sendo um deles.
José Aguiar

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