Minhas quase 10 linhas

Estou virando a memória há tempos tentando lembrar onde foi que eu fiquei sabendo da FPU: em um zine, uma convenção da Frota ou em uma convenção da própria FPU naquele cinema ao lado da C&A… De qualquer maneira, vi o endereço para correspondência (e-mail naquela época era muito raro) e escrevi.
Eis que um belo dia (acho que foi em 94 ou 95) me liga o Carlos. Fui avisada do churrasco de final de ano na casa da Yáscara e acabei indo. Para alguém que sempre foi extremamente tímida, até que ST me ajudou :)   Quando cheguei, a Angela também estava chegando, outra “novata”. Na saída acabou a luz na casa da Yáscara e o portão teve de ser aberto “manualmente” (acho que foi o Renato que tirou dos trilhos).
E meu irmão, que foi me buscar tendo acabado de chegar do exterior, me cumprimentou assim : “Hey, Trekkie”. (mais tarde eu o corrigi pedindo para que ele usasse o termo Trekker :) )
Outras coisas marcantes – ai, vai passar de 10 linhas!!! – foram as idas para SP para as convenções da Frota e a Mega convenção daqui, onde fomos chamados de Jaspion a Capitão América quando passamos pela Rua XV “a caráter”, o Francisco (ChicoTrekker todo de azul e com antenas!) assustou uma criança no McDonalds e, claro, o passeio na Feirinha – ciceroneando o Aldo Novak – onde chamamos mais a atenção do que a mulher que se veste de papel de bala!
É claro que gostei de ter encontrado a FPU e participado, senão não estaria aqui tentando colocar em 10 linhas esta fase e sim tentando esconder este meu lado negro :D
Brincadeira, não tenho porque esconder que gosto de ST e fico p* quando chamam o Spock de Doutor!!
Maria Alice Aguiar

Não me recordo de como soube da Federação, talvez algum cartaz na Lima Hobby ou de algum amigo que sabia de meu interesse pela série Jornada nas Estrelas.
Mas não importa, o importante era o alto astral das reuniões, das novidades da série que tanto gostávamos e agora estava na guarda de outra tripulação, a da Next Generation. Era uma época em que a série quase não passava em canais abertos e a TV a cabo ainda não chegava a todas as residências. Era inicio dos anos 90 e a dificuldade de saber o que estava acontecendo com a nova série “Next Generation” era grande, pois a facilidade da internet como hoje ainda não tínhamos.
Com o decorrer do tempo me envolvi com a “tripulação” da Federação através de montagens de kits de naves e com minha esposa costurando uniformes para o pessoal. Junto veio a amizade com os membros da tripulação, estes formados por novos amigos e também o reencontro com velhos amigos do CEFET.
Mas o tempo não para e a vida nos cobra a atenção para outras tripulações, outras jornadas, novos céus. E mesmo longe ainda é bom saber que a jornada da Federação continua, sempre nas mãos competentes de seu comandante Carlos Machado.
Novos membros surgiram, alguns antigos continuam, mas sempre é feliz o encontro quando há a oportunidade.
Vida longa e próspera a todos que estão presentes e aos que estão longe.
Frank Willyans Chmyz
Desde que me entendo por gente, gostava de Star Trek.
Quando pequena não me deixavam assistir aos filmes da série devido ao horário em que eram apresentados – perto da 22h00 – e também porque achavam que tinha temática muito adulta (uns beijos miseráveis e alguns golpes de luta, além de alienígenas sendo desintegrados eram a tal da “temática adulta” – fazer o quê… eram outros tempos…).
Sorte minha que existiam as reprises! Isso foi me alimentando até a maturidade, onde percebi que esse meu interesse por Ficção Científica em geral e pelo universo de Star Trek em particular me faziam uma pessoa um pouco diferente, mas nunca única: haviam outros “loucos” afinal… porém não aqui na minha cidade.
Bom, isso era o que eu imaginava.
Meu contato com a Federação surgiu de uma maneira meio inusitada.
Saindo de uma loja com uma amiga, fomos nos encontrar com o marido dela. O marido chegou com um colega de trabalho a tira-colo. Apresentou-nos e disse: “Veja, esse é aquele outro doido que eu te falei, aquele que trabalha comigo e tem até os mapas de nave de Jornada nas Estrelas, de tanto que gosta!”
O “doido” era o Andrew.
Começamos a conversar ali mesmo no meio da rua, discorrendo sobre episódios, personagens e piadas particulares “trekianas” – e o casal de amigos meus só olhando e – decerto – imaginando: “que língua será que estão falando?”
Ele me falou de um grupo. Me disse que esse grupo estava para se reunir e ver filmes da Série. Que trariam filmes ainda inéditos. Se eu me interessaria em ir, talvez…
Puxa vida!
Não apenas UM “maluco” (dois, comigo), mas um grupo inteiro deles?! E com filmes inéditos, ainda por cima? Era bom demais pra ser verdade…
Fui. Conheci o grupo. Acompanhei seu crescimento, sua evolução, seu desmembramento e sua continuidade. Participei de reuniões, exposições, palestras, festas, projetos e convenções, quer fossem em locais públicos, quer fossem dentro da residência de seus membros. A idéia era sempre a mesma: a divulgação da Série e da Ficção Científica em geral. Ajudei no que pude, me diverti muito e fiz grandes e profundas amizades que perduram até hoje. Lembro até que o primeiro “passeio” de meu segundo filho (recém-nascido) foi uma reunião pública num domingo à tarde.
Percebi que o “treker” tem um perfil com várias características em comum, não importa o ramo de atividade que ele abrace. O otimismo, a curiosidade, a responsabilidade, a persistência e a busca pela tolerância são pontos comuns entre nós. Essa era a imagem de futuro que Gene nos passava; quem se identificava com ele, virava fã – e era para a vida toda.
Assim como percebi que a Ficção Científica, ao invés de ser uma porta para a alienação – como muitos dizem – é um exercício diuturno de imaginação e elasticidade mental: somos melhores na medida que podemos aceitar que coisas diferentes e desconhecidas também possam ser boas.
Resumidamente, participei desde o primeiro ano desse grupo; e digo que foi, tanto em termos afetivos quanto culturais, uma das melhores aquisições que fiz na vida.
Parabéns, Federação!
Parabéns a nós todos!
Yáscara Albuquerque

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